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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

OS "MILAGRES" DO PEIXINHO CAMAFEU

 Kim Berlusa


                                                                            Fernando Fernandes







Passar uma manhã inteira num hospital, é para qualquer um de nós, aquilo a que chamamos de “autêntica seca”.
Os minutos e horas nunca mais passam, parecem eternidades!
Isto era o que eu pensava até ao dia (15/Dezembro/2010) em que fui convidado pela “Calendário das Letras” a levar o espectáculo “Palavras Vivas”, à Pediatria do Hospital de São João no Porto.
Apesar de variadíssimas experiências com crianças e jovens, esta foi a primeira vez que estive a “contar poemas” e histórias, num hospital.
Primeiro fui à Sala de Convívio, onde tinha à minha espera um grupo de crianças que se podiam deslocar, pelo seu pé ou em cadeira de rodas, após o que fui visitar sete enfermarias onde se encontravam os que, devido ao seu estado de saúde mais grave, estavam acamados.
A opção, a levar até estes, foi a de “contar o poema”, “O Peixinho Camafeu”, do poeta do Porto, Kim Berlusa, o qual narra a viagem dum peixinho especial, “…sem espinhas, nem barbatanas…, que vivia lá no Céu…,a quem um dia deu ganas de vir à terra passar duas ou três semanas…”.
Se o poema é encantador, o boneco manipulável, feito pelo artista plástico e animador social, Fernando Fernandes, é o que se pode chamar de adorável. Assim, poema e boneco, se conjugam de tal forma, que tem encantado pequenos e adultos, desde os Infantários, até aos séniores, passando por Escolas, Bibliotecas e festas diversas.
Mas, voltando à visita às enfermarias da Pediatria do Hospital de São João, é caso para dizer que eu estava com receio de não me sair bem nesta experiência, que encarei como um “desafio”, dado ser a primeira vez que ia estar a fazer uma mini apresentação, para jovens e crianças acamados e em estado físico e psicológico, algo melindroso, tal como os pais que lhes faziam companhia.
Contudo, os meus receios, ainda antes de começar a “contar o poema” do peixinho, desapareceram logo que mostrei a cara patusca do Camafeu, que um a um, ia arrancando sorrisos a crianças, jovens e pais, e até conseguiu pôr a brilhar olhares em corpos parados.
A magia d’ ”O Peixinho Camafeu”, com os seus beijinhos, aos doentes e aos pais, no final de cada apresentação, conseguiu “construir” olhares a brilhar, sorrisos abertos e, mesmo até, festinhas no boneco feitas por uma mãozita quase parada, num corpo paralisado…
Nunca me senti tão pequenino, mas feliz com a vida, ao ser “relegado” para um papel secundário, por um boneco chamado “Camafeu”, que me fez ver que afinal não tenho que me queixar da vida, por muito que me pareça que me falta!
Talvez não seja por obra do acaso, que o Kim Berlusa, escreve no seu poema que: ”…o Camafeu é um peixinho que vive lá no Céu…”

   eduardo roseira
          Porto
15/Dezembro/2010